domingo, 5 de fevereiro de 2017

«ESTA TERRA TÃO FRÁGIL…»




Esta terra tão frágil
Nas mãos de uma humanidade tão ágil
Com o poder de a curar
Este planeta tão poluído
Tão vulnerável… esquecido…
De petróleo aspergido
Com desejo de ser mar…
Levantam-se assim os Oceanos
Esses mares fundos ufanos
Que não param de rugir
Deixem homens de poluir
Essas águas que sustentam
Dos quais todos se alimentam
Nesse desejo e porvir
De ressurgir neste mundo
Povoando a terra a fundo
Que sangra nesse mar profundo
De sangue, de tinta tóxica preta…
Que envolve essas praias vivas
Empestando nessa maré
Gaivotas e outras mais,
Praias, dunas e areais
Fruto da nossa incúria
Pois aos outros não importa
Que seja matéria morta
O corpo da frágil gaivota
Perecida nessa injúria…
Morre assim a nossa Gaia
Outrora esse Jardim
Desse Éden hoje perdido
Nesses avanços sem sentido
De uma inconsciente natureza
Que parece não ter fim…
Gaia que é nossa Mãe
A única nossa certeza…
Morre a Terra devagar
Nos braços de tão ingratos
Filhos da incompreensão
Que intoxicam o planeta
Com esse orgulho e ambição
Cheios dessa tinta preta
Que se esvai e tudo polui
Nessas marés negras da morte
Abandonando o mundo à sorte
Não compreendem em fim
Que este mundo assim
Construído desta forma
Não passa de uma ilusão
De uma ilusão medonha
Ilusão que é tão profunda
E que a muitos outros convém
Tratando com esse desdém
A casa Mãe em que cospem
Estando a virtude no meio
No equilíbrio, no proteger
Das outras espécies irmãs
Que sofrem para nosso prazer…
Pois a humanidade que fervilha
Desse desejo de crescer
É apenas uma parte
Uma pequena fasquilha
Um grão de areia na praia
De um outro todo maior que fervilha
Não podendo existir
Sozinha sem esta casa
Sem este planeta
Sem o qual
Não haverá mais humanidade
Nem vida
Em qualquer parte
Onde se fizer igual…

Poeta Miguel Silvestre

Loulé 21/11/2013

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