Sonhei com essa rua despida
Fria… na sombra escondida
Nessa vergonha
Na manhã fria
A calçada morta
Onde se estende o cartão
Embrulhado o corpo em jornal
Numa noite qualquer de solidão
A garrafa vazia ao lado
O vinho bebido que aquece
O corpo doente que estremece
Ao frio desse descontentamento…
Num sonho de esperança
E sofrimento
De estar vivo
Do tormento
Da fome que queima as entranhas vazias…
Numa miséria de vida
De vida vazia… sofrida…
Esquecida
Na pedra da calçada fria
Molhada…
Envelhecida
Polida pelo calçado que ignorando passa
Pisando a miséria que se expõe oferecida
E a mesma água que o cartão repassa…
Poeta Miguel Silvestre
Valinhos - Alte 24/12/2013

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